Foi entregue ao delegado José Alves Bezerra Júnior, da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, autoridade policial que preside o inquérito do acidente aéreo, na manhã desta sexta-feira (30/07), o laudo de exame pericial oriundo do Departamento de Polícia Técnica de Teixeira de Freitas, de nº 2009 08 PC 0399, apontando as causas do acidente aéreo ocorrido em Teixeira de Freitas em março de 2009, com o avião Monomotor, tipo experimental, da categoria ultraleve triciclo, modelo Pelican 500BR, com inscrição PU-IAM, dotado de bequilha comandável, com dois assentos lado a lado, fabricado pela Embraer.
A aeronave caiu sobre a área verde do aeroporto de Teixeira de Freitas por volta das 16h30, de domingo do dia 22 de março de 2009, em que morreram o instrutor de vôos Fylipe Leão Lyra, 31 anos, e o seu aluno, o empresário Gustavo Macedo Albernase, 37 anos, diretor presidente da empresa GF Comércio e Resíduos Florestais Ltda., em Teixeira de Freitas.
A perícia de criminalística no local do acidente foi coordenada e concluída pelo perito criminal Manoel Garrido, coordenador regional do Departamento de Polícia Técnica de Teixeira de Freitas. O laudo concluiu que não houve problema mecânico e nem elétrico na aeronave, além dessas evidências, os peritos constataram presença de combustível em todo o sistema incluindo o tanque, e com base nos resultados dos exames executados, os peritos concluíram como morte acidental a natureza das mortes de Gustavo Macedo Albernaz e Fylipe Leão Lyra.
Em Brasília, tanto a coordenação nacional de núcleo de perícias do CENIPA - Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, quando a ANAC – Agência Nacional da Viação Civil, aprovaram e aceitaram a conclusão do laudo de criminalística do DPT de Teixeira de Freitas. O mesmo laudo que foi remetido ao delegado José Bezerra Júnior, da Polícia Civil de Teixeira de Freitas para conclusão do inquérito do caso e remoção do mesmo para justiça estadual, foi também enviado ao CENIPA e ANAC, que também acataram o referido laudo e deverão fazer uso do mesmo para remetê-lo ao Superior Tribunal de Justiça com vistas ao Ministério Público Federal.
O delegado José Bezerra Júnior que preside o inquérito, disse que mesmo munido do laudo de criminalística em mãos, ele pretende concluir o procedimento em no máximo 20 dias e esclarecê-lo à justiça, contudo, disse que antes de relatá-lo, vai ouvir as autoridades científicas que trabalharam na perícia do acidente aéreo para que possam prestar esclarecimentos concludentes, tanto os peritos da Polícia Técnica de Teixeira de Freitas, quando os peritos da ANAC e do CENIPA, como forma de melhor se orientar penalmente na relatoria do inquérito.
O Acidente Aéreo
O acidente aconteceu quando a aeronave que sobrevoava em treinamento à cidade de Teixeira de Freitas desde a manhã daquele domingo (22/03/2009), acabou caindo por volta das 16h30min nas imediações entre o aeroporto e a BA-290 na altura do Km 4,5 da pista que liga Teixeira de Freitas a Alcobaça. O Avião Monomotor caiu de bico numa área de pasto, a 600 metros da cabeceira do Aeroporto da cidade, logo após ter decolado. A aeronave pertencia a uma empresa de Táxi Aéreo de Vitória/ES., de propriedade de Nelson Rosa Lyra, pai do instrutor Fylipe, morto no desastre.
A pista do Aeroporto de Teixeira de Freitas possui 1.460 metros de extensão e 30 metros de largura, é completamente pavimentada, sinalizada e foi construída no ano de 1998, sendo que nunca antes havia registrado um acidente aéreo no local. Morreu no acidente um empresário popularmente conhecido na cidade por “Gustavo da GF Florestais” e também o seu instrutor de vôo, um capixaba que morava na Barra do Jucu, em Vila Velha, cidade da região metropolitana de Vitória/ES., de nome Fylipe Leão Lyra, 31 anos.
O empresário morto no acidente aéreo tratava-se de Gustavo Macedo Albernase, 37 anos, um carioca do Rio de Janeiro-Capital, e radicado em Teixeira de Freitas desde jovem, onde era diretor presidente da empresa GF Comércio e Resíduos Florestais Ltda., no bairro Monte Castelo em Teixeira de Freitas. Ele também era fomentador de eucalipto e acionista de uma revendedora de caminhões em Teixeira de Freitas.
Segundo os amigos da vítima na ocasião, o empresário estava negociando a compra de um avião, por isso, teria passado o domingo fazendo treinamento. Aquele era o terceiro final de semana que Gustavo com seu irmão Rodrigo e outros dois empresários da cidade faziam o treinamento. Na última aula naquele domingo, era vez do empresário Gustavo pilotar o monomotor, que tão logo decolou sobre o controle da aeronave, houve a pane com a conseqüente queda do avião.
Das Evidências do Laudo
Segundo o perito criminal Manoel Garrido, de modo geral, pode-se dizer que o funcionamento das aeronaves monomotoras é bem mais simples e barato que o funcionamento das aeronaves bimotoras, com a significativa redução de complexidade de sistemas hidráulicos, elétricos, eletrônicos e de propulsão, com a conseqüente redução dos custos operacionais, ou seja, as aeronaves monomotoras são bem mais fáceis e econômicas de operar e manter do que as aeronaves bimotoras e, isso causa autoconfiança nos seus operadores, especialmente em alunos que quando conhecem todos os recursos, subentende que já sabem tudo e às vezes uma pequena falha ou desatenção, pode causar uma grande tragédia.
O laudo detalha concludentemente que a aeronave era pilotada no momento do acidente, pelo empresário Gustavo Macedo Albernaz, que não tinha experiência suficiente para realizar qualquer tipo de manobra mais arriscada, como por exemplo, voar em distâncias próximas do chão. No momento em que caiu, o monomotor estaria a uma distância de apenas 100 metros do solo. Diante de todos os exames e pelas circunstâncias ocorridas, concluiu se que houve conflito de cabine.
Ou seja, o instrutor Felype que era um professor de voou de longa experiência, teria seguido a norma de defesa da aeronáutica, em que todo piloto é treinado, onde em caso de desobediência do aluno, aplica-se um golpe estratégico de amortização por trás do pescoço da pessoa e naturalmente toma o controle do avião para si. E possivelmente, observando o erro tentou corrigir, por sua vez, o aluno não confiou no instrutor e quis manter-se no comando, tendo havido, possivelmente o aplique de um golpe de amortização por parte do instrutor.
Contudo, o instrutor talvez tenha conseguido êxito no abatimento do aluno, mas não teria dado tempo de salvar o controle da aeronave, ou possivelmente não tenha conseguido amortizar o aluno e ele reagido ao ataque em pleno ar por ter entendido a ação monitora como uma agressão. Essas e outras são algumas das hipóteses relatadas após conclusão dos exames que descartaram qualquer possibilidade de ter havido falha mecânica ou falta de combustível e confirmado a causa por conflito de cabine, inclusive pela descrição do áudio gravado pelo Transponder, um dispositivo de comunicação eletrônico complementar de automação que substitui a Caixa Preta nas pequenas aeronaves.
Por Athylla Borborema |
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